
Lentes cor-de-rosa,
óculos de realidade,
ver com outros olhos,
olhar pelos olhos do outro.
Ampliar a visão,
mudar o ponto de vista;
todo mundo, vez ou outra, precisa
de alguma lente corretiva.
(Juliana Ribeiro – 25/05/2020)

Lentes cor-de-rosa,
óculos de realidade,
ver com outros olhos,
olhar pelos olhos do outro.
Ampliar a visão,
mudar o ponto de vista;
todo mundo, vez ou outra, precisa
de alguma lente corretiva.
(Juliana Ribeiro – 25/05/2020)

Quando comecei minha transição de carreira e a trajetória como artista plástica independente, eu sempre quis continuar desenhando e ilustrando a partir das minhas inspirações e referências (e paralelamente aos meus projetos de arte conceitual).
Foi assim que surgiu a ideia de criar a Sabor de Jujuba, uma marca de ilustrações e produtos feitos a mão onde a poesia, a delicadeza e o lúdico estariam sempre presentes, cujo nome remetia ao sabor delicado e divertido das coisas da infância.
Só que o tempo passou, eu percebi que as criações da Sabor de Jujuba iam se direcionando cada vez mais para o segmento infantil, e comecei a ter vontade de fazer outras coisas também…
Percebi que, dentro da marca Sabor de Jujuba, só cabiam coisas coloridas, delicadas e fofas, e eu nem sempre sou (nem quero ser!) colorida, delicada e fofa. Eu gostaria de poder colocar mais de mim nas minhas criações e ver mais diversidade no meu trabalho.
Não foi fácil me desapegar emocionalmente de tudo o que havia criado até aqui (afinal, o carinho pela Sabor de Jujuba é enorme) mas era muito mais importante que a Jujuba crescesse…

Então, comecei um processo de transição e aqui estou com a JULIANA RIBEIRO ILUSTRA, o lugar onde posso compartilhar minhas ilustrações de um modo mais livre e onde o feito à mão e a poesia das coisas ainda é o que impulsiona minha criatividade. Ainda vai haver coisas fofinhas e coloridas; mas também pode haver temais mais profundos e “cascudos”, sempre tratados com a delicadeza que merecem.
Espero que goste das novidades que vêm por aí. Você pode acompanhá-las aqui no site ou pelo Instagram @julianaribeiroilustra.
ATUALIZANDO: Em novembro de 2020, encerrei a loja virtual da Sabor de Jujuba/Juliana Ribeiro Ilustra no Elo7. E decidi manter a divulgação dos meus trabalhos em arte e ilustração apenas no meu perfil do instagram @ribeirojulianac.
Crescemos! Vamos ver no que dá?
Juliana Ribeiro
Nasci artista visual e me tornei beletrista no meio do caminho. Nunca deixarei de sê-lo. A leitura e a escrita estão ao meu lado em todos os momentos e, às vezes, intuitivamente saem alguns poemas como este.
De repente, a névoa úmida
chega sorrateiramente.
Atenua as cores,
turva a visão,
faz perder a direção.
Cobre tudo com seu manto frio,
triste, paralizante.
Não se sabe como veio,
nem como vai embora.
Caprichosa,
levanta e sai.
E o firmamento
torna-se ainda mais claro.
É preciso piscar os olhos
muitas vezes
para continuar
ou recomeçar.
(Juliana Ribeiro)
É a primeira vez que compartilho esse tipo de escrito, que, por ora não é um trabalho, mas uma forma de extravasar. Mas, quem sabe a escrita poética e a arte visual não formem uma boa dupla?
“A arte precisa de tempo para ser incubada, para se espalhar um pouco, para ser desajeitada e feia até finalmente emergir como si mesma. O ego odeia esse fato. O ego quer gratificação instantânea e a sensação viciante de uma vitória reconhecida.”
(Julia Cameron – O caminho do artista, 2017, p.216)
Quando comecei a trabalhar como artista independente, fui criando uma rotina para organizar todas as minhas atividades, tarefas e responsabilidades, separando alguns momentos da semana destinados à “produção” de novas obras e ilustrações.
Nesses momentos, não foram raras as vezes em que me via sentada à mesa de trabalho na expectativa de começar algo novo e tudo o que conseguia fazer era ficar brincando com tintas, catalogando lápis de cor, rabiscando coisas aleatórias, testando papéis e tecidos, experimentando fios e ferramentas. Ao final, eu me sentia muito frustrada por achar que não havia “trabalhado”, já que não tinha “produzido”.
Aos poucos, fui compreendendo que eu não estava em uma esteira de “produção”, mas num espaço de “criação”, onde essas simples atividades devem, sim, ser entendidas como trabalho e têm papel fundamental na elaboração de novas obras. Todo artista precisa brincar…
Descobri que experimentar, testar e catalogar deliberadamente – sejam cores, rabiscos, papéis, ferramentas, pinceladas etc. – são atividades que me colocam em fluxo, num estado quase meditativo, que vai aquietando a mente rígida e crítica e abrindo espaço para a criatividade se manifestar, trazendo ideias e, principalmente, soluções. Depois dessas “brincadeiras” eu estou muito mais segura, mais disposta e consigo ser mais produtiva em tudo o que faço.
Hoje, levo bem a sério esse negócio de brincar no trabalho. Dê uma olhada nas minhas brincadeiras preferidas:







E você, do que anda brincando para alimentar a sua mente criativa?
[]s Juliana
P.S.: A ideia para este texto apareceu logo depois de um almoço despretensioso com uma amiga, prova de que boas soluções surgem em momentos de ócio e descontração <3!

Quando desencadeamos um ‘sim’ interno ao afirmar nossos objetivos e desejos mais verdadeiros, o Universo espelha essa afirmação e a expande. (Julia Cameron – O caminho do artista)
Eu sou artista desde sempre, mas nem sempre me senti assim. Desde criança, gosto de me expressar por meio do desenho, da pintura e da atividade manual, até que, aos 19 anos, uma experiência frustrada nas provas de habilidades específicas para um vestibular de Artes Plásticas me fez acreditar que eu não tinha o necessário para ser uma artista e assim eu me fechei, pensando que aquilo “não era para mim”.
Botei uma pedra no sonho, segui a vida em outra profissão, fui feliz em muitos momentos, porém me sentia incompleta. Fiz do artesanato uma válvula de escape, mas queria mesmo era voltar a estudar arte, tentar de novo. Contudo, eu me escondia nos meus medos, desculpas e autocensuras.
Até que, em 2014, mais madura, mãe e querendo reencontrar o sentido da vida, criei coragem para ser e fazer o que sempre desejei. Comecei o curso de Artes Plásticas, participei de outros cursos a distância, passei a viver com mais criatividade, entrei em contato com o melhor de mim e consegui, enfim, me enxergar como artista.
Das leituras que me inspiraram e me apoiaram nesse processo de redescoberta, autoacolhimento e recuperação artística, selecionei os meus 5 livros preferidos para recomendar a quem também está em busca de fazer as pazes consigo e viver uma vida com mais criatividade e propósito. São eles:
Steven Pressfield – Ediouro, 2005
Quer saber quem é o seu maior maior inimigo quando se trata de dar o primeiro passo na direção de seu chamado interior? Olhe-se no espelho! É ela, a sua resistência, ou o medo disfarçado de racionalidade, que elabora mil e um argumentos plausíveis para te fazer desistir e permanecer na zona de conforto, por pior que seja.
Will Gompertz – Zahar, 2015
Nesse livro, o autor, que é editor de artes da BBC, reúne características e modos de pensar e de trabalhar das pessoas criativas – exemplificando-os com casos de artistas famosos – e nos encoraja a pensar como eles, seja qual for a nossa área de atuação.
Elizabeth Gilbert – Objetiva, 2015
A autora de Comer, rezar e amar traz a própria perspectiva sobre o que é viver uma vida criativa, a partir de relatos pessoais e de histórias de pessoas que a inspiram. Para a autora, dedicar-se a uma vida criativa demanda coragem (assim também disse Matisse!) e não há mal nenhum em atribuir um significado espiritual à criatividade.
Julia Cameron – Sextante, 2017
Um programa de recuperação criativa, com ferramentas para ajudar artistas a livrar-se de seus bloqueios. Um método criado e vivenciado pela própria autora, hoje romancista, escritora, dramaturga, poeta e professora, mas que já foi uma artista bloqueada e viciada em álcool e drogas. A proposta do livro é seguir o programa sugerido por 12 semanas, lendo os textos e praticando os exercícios propostos, para recuperar a autoestima e a autoconfiança, habituar-se a criar com mais consistência e livrar-se da autocrítica e da autossabotagem.
Esse virou livro de consulta para mim, com várias marcações e anotações, às quais eu retorno sempre que a coisa aperta!
Brené Brown – Sextante, 2013
Brené Brown é professora da Universidade de Houston (Texas, EUA) e há mais de 20 anos estuda vulnerabilidade, vergonha, empatia e coragem. Para a autora, viver uma vida plena requer ousadia para “se jogar”, aceitando e acolhendo as próprias vulnerabilidades, ou seja, desenvolvendo um amor próprio capaz de encarar com naturalidade os julgamentos e críticas, que são inevitáveis. Quando tentamos nos proteger do erro, do fracasso e das decepções, também nos fechamos para o bom da vida.
Gostaria de escrever muito mais sobre cada um dos livros, mas, se assim fosse, este texto viraria uma monografia. Quem sabe não rolam resenhas mais para a frente?
O intuito mesmo era compartilhar esses títulos e falar da minha impressão sobre eles, do que aprendi e do que tenho adotado nesta nova fase para encorajar e inspirar outras pessoas a encontrarem o melhor de si mesmas também.
Se você, leitora ou leitor, quiser me contar o que achou desses mesmos livros ou recomendar outros títulos que possam ampliar essa lista, adorarei saber!
É isso! Até a próxima!
Juliana
P. S.: links para os livros na Amazon br:
A guerra da arte (o link é para o ebook em inglês; o livro em português parece estar em falta na maioria das livrarias)

Hoje começo uma nova fase pessoal e profissional, com o lançamento de dois dos projetos que ando alinhavando no mundo das ideias há algum tempo: um novo site/ blog e minha primeira loja virtual, a Galeria Juliana Ribeiro, onde coloco à venda algumas das obras de arte que produzo.
Faz um ano que pedi demissão do meu emprego e da minha carreira na educação formal para trilhar um caminho individual como artista plástica, ilustradora e, por que não, educadora também? Tudo isso para poder vivenciar uma rotina mais alinhada ao meu propósito de vida, que inclui mais flexibilidade, mais autonomia e mais equilíbrio entre o papel de profissional e os outros papéis que desempenho (o de mãe entre eles!).
Desde então, venho trabalhando para fazer as coisas acontecerem, construindo uma nova rotina, aprendendo a viver em outro ritmo, estudando, testando, errando, vencendo meus temores, driblando meu perfeccionismo, assumindo minhas vulnerabilidades, me apaixonando cada vez mais por essa nova fase. O resultado está aqui: um site e um blog novinhos em folha e uma loja virtual, tudo pensado e desenvolvido por mim mesma, que orgulho!
O último “checked” (✔) da lista de tarefas para o lançamento era este aqui, o texto inaugural do blog. Passei um tempão parada, olhando para a tela em branco do computador, sem saber ao certo o que escrever. Resolvi pegar caneta e ir para um caderno, o meu diário pessoal, e uma enxurrada de palavras apareceu. Não à toa eu cursei Letras, as palavras também são para mim uma forte fonte de expressão. Mas, assim como no desenho e na pintura, eu preciso muito da mão, do analógico, para dar vazão às minhas ideias.
Quando penso em manter um blog, penso em falar um pouco mais abertamente de mim. Penso no meu amor pelas artes, pelo artesanato e por tudo o que é manual. Penso que seria legal me conectar com outras pessoas e compartilhar com elas o que sei, o que faço, o que aprendo – e também aprender com elas. Penso que deve haver quem também enxergue as coisas como eu para formarmos uma comunidade, um grupo legal, uma “tchurma”!
Penso em ter um lugar mais calmo, mais silencioso, mais “slow” do que as redes sociais, para que as pessoas que entrem aqui sintam-se mais acolhidas, ouvidas, para que a internet nos proporcione conexões mais verdadeiras e interações mais aprofundadas, gerando mais valor para mim e para quem me visita.
Então, este novo blog é para isso, para ser a minha sala virtual, o meu ateliê, onde você chega e toma um café com bolo comigo, fazemos um projeto craft juntos, aprendemos uma técnica nova, trocamos ideias sobre um livro legal ou conversamos sobre um assunto qualquer. Uma relação que começa no virtual e pode até se tornar real, quem sabe?
É tudo por hoje. O blog começou com textão, mas, se você chegou até aqui e estiver na mesma “vibe” que eu, certamente não se importará! E eu te convido a continuar comigo nesta caminhada! Que tal me contar nos comentários quem é você, o que você procura nesse universo das artes e crafts e o que a gente pode fazer de legal juntos?
Abraço!
Juliana