
Lentes cor-de-rosa,
óculos de realidade,
ver com outros olhos,
olhar pelos olhos do outro.
Ampliar a visão,
mudar o ponto de vista;
todo mundo, vez ou outra, precisa
de alguma lente corretiva.
(Juliana Ribeiro – 25/05/2020)

Lentes cor-de-rosa,
óculos de realidade,
ver com outros olhos,
olhar pelos olhos do outro.
Ampliar a visão,
mudar o ponto de vista;
todo mundo, vez ou outra, precisa
de alguma lente corretiva.
(Juliana Ribeiro – 25/05/2020)
Nasci artista visual e me tornei beletrista no meio do caminho. Nunca deixarei de sê-lo. A leitura e a escrita estão ao meu lado em todos os momentos e, às vezes, intuitivamente saem alguns poemas como este.
De repente, a névoa úmida
chega sorrateiramente.
Atenua as cores,
turva a visão,
faz perder a direção.
Cobre tudo com seu manto frio,
triste, paralizante.
Não se sabe como veio,
nem como vai embora.
Caprichosa,
levanta e sai.
E o firmamento
torna-se ainda mais claro.
É preciso piscar os olhos
muitas vezes
para continuar
ou recomeçar.
(Juliana Ribeiro)
É a primeira vez que compartilho esse tipo de escrito, que, por ora não é um trabalho, mas uma forma de extravasar. Mas, quem sabe a escrita poética e a arte visual não formem uma boa dupla?
“A arte precisa de tempo para ser incubada, para se espalhar um pouco, para ser desajeitada e feia até finalmente emergir como si mesma. O ego odeia esse fato. O ego quer gratificação instantânea e a sensação viciante de uma vitória reconhecida.”
(Julia Cameron – O caminho do artista, 2017, p.216)
Quando comecei a trabalhar como artista independente, fui criando uma rotina para organizar todas as minhas atividades, tarefas e responsabilidades, separando alguns momentos da semana destinados à “produção” de novas obras e ilustrações.
Nesses momentos, não foram raras as vezes em que me via sentada à mesa de trabalho na expectativa de começar algo novo e tudo o que conseguia fazer era ficar brincando com tintas, catalogando lápis de cor, rabiscando coisas aleatórias, testando papéis e tecidos, experimentando fios e ferramentas. Ao final, eu me sentia muito frustrada por achar que não havia “trabalhado”, já que não tinha “produzido”.
Aos poucos, fui compreendendo que eu não estava em uma esteira de “produção”, mas num espaço de “criação”, onde essas simples atividades devem, sim, ser entendidas como trabalho e têm papel fundamental na elaboração de novas obras. Todo artista precisa brincar…
Descobri que experimentar, testar e catalogar deliberadamente – sejam cores, rabiscos, papéis, ferramentas, pinceladas etc. – são atividades que me colocam em fluxo, num estado quase meditativo, que vai aquietando a mente rígida e crítica e abrindo espaço para a criatividade se manifestar, trazendo ideias e, principalmente, soluções. Depois dessas “brincadeiras” eu estou muito mais segura, mais disposta e consigo ser mais produtiva em tudo o que faço.
Hoje, levo bem a sério esse negócio de brincar no trabalho. Dê uma olhada nas minhas brincadeiras preferidas:







E você, do que anda brincando para alimentar a sua mente criativa?
[]s Juliana
P.S.: A ideia para este texto apareceu logo depois de um almoço despretensioso com uma amiga, prova de que boas soluções surgem em momentos de ócio e descontração <3!